Nascidos juntos há mais de dez anos, o bitcoin e as redes de blockchain são comumente confundidos. Não é para menos, uma vez que a tecnologia blockchain é uma das características que tornam o bitcoin e as criptomoedas que surgiram depois dele seguras.

Para falar de um jeito mais simples, vamos com a definição feita por Marc Andreessen, criador da Netscape e parceiro de um dos mais importantes fundos de capital de risco no Vale do Silício

“Uma cadeia de blocos é essencialmente apenas um registro, um livro de eventos digitais que é “distribuído” ou compartilhado entre muitas partes diferentes.”

Se você quiser saber um pouco mais sobre blockchains e as funcionalidades delas – que vão muito além do universo das moedas criptografadas- nós já falamos a respeito aqui.

Mas afinal o que são esses tais blocos?

Um bloco é um conjunto de transações confirmadas e informações adicionais, que agrupados formam uma cadeia. Cada bloco é composto por um código alfanumérico (composto por letras e números), um pacote de transações que inclui um outro código alfanumérico que o ligará a outro bloco.

De onde vêm esses blocos?

Diversos computadores espalhados pelo mundo – também chamados de mineradores – tentam resolver complexos problemas matemáticos para garantir a autenticidade das transações efetuadas. Esse processo dura aproximadamente 10 minutos.

Sempre que um computador consegue solucionar o problema, a informação é repassada aos demais, que verificam se está correto e o validam. Uma vez validado, o bloco é adicionado à rede.

Como cada bloco contém não apenas uma hash (equação) referente às suas transações, mas também um hash referente às transações antigas realizadas na rede, cada novo bloco adicionado valida novamente todos os blocos anteriores. Isso significa que quanto mais antigo um bloco, mais confirmações ele obteve, e consequentemente mais difícil de ser adulterado.

Depois que os blocos são incluídos na rede eles pra onde eles vão?

Uma vez formados e validados, os blocos vão para full nodes, que são conjuntos dos históricos completos de um blockchain.

Esses full nodes podem ser rodados em qualquer computador (desde que tenha espaço em disco suficiente). Quanto mais full nodes, maior a quantidade de cópias que a rede possui, o que torna a rede mais forte e segura.

Ou seja, na prática, os blocos do blockchain Bitcoin estão armazenados em diversos computadores espalhados pelo mundo todo.

Mas com tanta gente podendo editar os blocos, como é possível que sejam tão seguros?

Justamente por precisar da validação de todos os membros da rede, as chances de adulteração são ínfimas, pois para fraudar a rede Bitcoin, necessário possuir mais de 50% de todo o poder computacional (hash power) da rede.

É dessa forma que a segurança do sistema é garantida. Esse modelo faz com que o blockchain seja um sistema descentralizado, ou seja, sem um ponto central de comando.

Mas em se tratando de uma rede, os blocos são todos iguais?

Não. Isso vai depender do tamanho e do tipo da rede. Para se ter uma ideia, o gênesis, primeiro bloco de bitcoin da história, minerado em 03 de janeiro de 2009, possuía 0.285 kB. Hoje, o tamanho médio é de 1,16 MB. O maior bloco minerado até hoje possui mais de 100 MB.

Tamanho é documento?

Dentro de uma rede de blockchain, sim. O tamanho do bloco não restringe o fluxo de transações, ele regula a quantidade de dados de transmissão para todos que estão sendo enviados pela rede.

Sendo assim, o tamanho dos blocos de uma rede impacta no processamento dos dós, ou seja, quanto maior for o tamanho do bloco, maior terá que ser a capacidade computacional dos nós para minerá-los.

Da mesma forma, redes muito longas acabam gerando lentidão nas validações e transmissões das transações feitas dentro delas.Por isso, o sistema precisa manter-se atualizado, assim como seus nós.

E como se faz para atualizar a rede como esse fluxo todo?

Com a quantidade e a velocidade de informações sendo transmitidas de forma ininterrupta, a rede e depende da organização e da atualização dos nós que a compõem. Isso se dá por meio de atualizações, conhecidas como forks. Sendo classificadas de duas maneiras: Soft Fork e Hard Fork.

Assim como nossos computadores são atualizados o tempo todo, muitas vezes sem sequer nor darmos conta, a blockchain também vai se renovando constantemente, sem necessariamente precisar parar suas operações. Asse tipo de aprimoramento feito meio que em segundo plano leva o nome de Soft Fork.

Seguindo o mesmo exemplo, é normal que um sistema operacional precise passar por uma atualização de versão de tempos em tempos. Nesse caso, baixamos ou inserimos a versão mais nova e o reiniciamos, mas na blockchain é diferente.

Por ser composta por vários nós, que rodam esta versão ao mesmo tempo, em lugares distintos, não há como desligar a rede para fazer uma atualização desse porte.

Sendo assim, a solução é criar uma bifurcação na blockchain, dando origem a duas redes distintas, uma com um novo código e outra com o código antigo. A essa bifurcação, dá-se o nome de Hard Fork. Dois exemplos clássicos desse tipo de cisão são o bitcoin cash e o bitcoin gold.

Sei que esse monte de blocos, nós, bifurcações e tudo mais soam complexos – realmente são -mas é necessário para o funcionamento das blockchais e, mais do que isso, são essenciais para que elas se mantenham cada vez mais eficientes e seguras, não só para as criptomoedas, mas para as outras inúmeras aplicações possíveis.