O caminho da Libra para a regulamentação parece estar se tornando cada vez mais inglório. Ontem (17), durante um painel em Berlim, o vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, disse que, no que depender dele, a moeda não será aceita.

“Não podemos aceitar uma moeda paralela. […] você tem que rejeitar isso claramente.”

Segundo consta em um documento ao qual a Ruters teve acesso, os reguladores alemães estão trabalhando em conjunto com outros aliados europeus e internacionais para garantir que as stablecoins não se tornem alternativas às moedas nacionais.

“O governo federal trabalhará em nível europeu e internacional para garantir que as stablecoins não se tornem uma alternativa às moedas oficiais” dizia o documento.

Antes disso, o governo alemão já havia se pronunciado a respeito do assunto. No dia 13 de setembro, o parlamentar alemão Thomas Heilmann declarou que o governo bloqueará projetos como a Libra, sob a alegação de que as autoridades não planejam permitir stablecoins privadas relevantes para o mercado, seguindo os passos da França.

A Libra não é uma ameaça. Será?

Mesmo com as negativas dos governos de países membros da União Europeia, David Marcus, chefe da Calibra, tentou tranquilizar o sistema financeiro global.

Durante uma reunião entre o fundadores da Libra e representantes de 26 bancos centrais na Basileia, Marcus apontou que o projeto de criptomoeda da Libra não pretende formar uma nova moeda, mas sim construir a melhor rede e a melhor forma de pagamento rodando sobre as moedas existentes, para oferecer valor significativo aos usuários em todo o mundo. Ele enfatizou ainda que não se trata da criação de um dinheiro novo e que em nada afetará a soberania das nações.

Ainda não há como saber se as intenções dos criadores da Libra são realmente nobres ou se os temores de países como França e Alemanha são realmente justificáveis. Mas uma coisa é certa, antes mesmo do seu lançamento efetivo, a Libra já tem dado o que falar.