Desde que foi anunciada, em junho deste ano, a Libra, moeda digital do Facebook, vem causando um misto de reações, a maioria não muito positiva. A principal questão é a confiabilidade, uma vez que uma série de escândalos contundentes vêm colocando em dúvida a credibilidade do Facebook e do seu co-fundador.

Em meio a este cenário, Mark Zuckerberg falou a respeito dos esforços que estão sendo feitos para o lançamento da Libra.  

“Muitas pessoas tiveram dúvidas e preocupações, e estamos comprometidos em garantir que trabalhemos com todos eles antes de avançar. Obviamente, queremos avançar em algum momento em breve [e] não levaremos muitos anos para mas agora estou realmente focado em garantir que façamos isso bem.”

Portas fechadas

Essas declarações surgiram em um momento oportuno, tendo em vista que o consórcio Libra, que inclui empresas como Mastercard e Visa, teve dificuldade em receber a aprovação dos reguladores de órgãos e países importantes do mercado mundial para lançar o ativo criptográfico, especialmente na Europa.

“Todas essas preocupações com a libra são sérias. Então, eu quero dizer isso com muita clareza: nessas condições, não podemos autorizar o desenvolvimento da libra em solo europeu.”

Frente de defesa

Antes da manifestação de Zuckerberg, o co-criador da Libra David Marcus, respondeu às reivindicações contra a stablecoin dizendo que o objetivo não é projetar um novo sistema monetário. Mas, em vez disso, o foco era desenvolver um sistema secundário baseado nas criptomoedas existentes, resta saber se a posição das regulamentações pode mudar.

“A Libra foi projetada para ser uma melhor rede e sistema de pagamento, funcionando com base nas moedas existentes e oferecendo valor significativo aos consumidores em todo o mundo. A Libra será lastreada 1:1 por uma cesta de moedas fortes. Isso significa que, para que qualquer unidade de Libra exista, deve haver um valor equivalente em sua reserva. Como tal, não há criação de dinheiro novo, que permanecerá estritamente a província das nações soberanas.”

Como parte da estratégia para mostrar ao mercado que o Facebook é confiável e que há bons motivos para confiar na Libra, Zuckerberg traçou um paralelo com a postura anterior do grupo e como a empresa enxerga o mercado e se posiciona agora.

“Parte da abordagem é a forma como agimos agora, quando fazemos coisas que serão muito sensíveis para a sociedade, queremos ter um período em que possamos sair e conversar sobre elas, consultar pessoas e obter feedback. Trabalhar com os problemas antes de lançá-los. E essa é uma abordagem muito diferente da que poderíamos ter adotado cinco anos atrás. Mas acho que é o caminho certo para fazermos isso na escala em que operamos.”

Mesmo que não tenha trazido nada de realmente novo, a manifestação de Mark Zuckerberb veio em um momento importante. Afinal de contas, ele é a pessoa por trás da marca Facebook e isso tem um significado enorme. Resta saber se surtirá o efeito esperado em quem realmente importa, o mercado.