Recentemente o Facebook, rede social mais popular do mundo, divulgou a sua participação em um novo projeto, o lançamento da criptomoeda libra. A novidade trouxe dúvidas e muitos passaram a se perguntar: seria este o ponto de partida para uma popularização do universo das moedas virtuais? 

Democratização 

A entrada de empresas como o Facebook no universo das moedas virtuais trará mais visibilidade e credibilidade ao mercado, principalmente junto ao público mais leigo – ainda não iniciado ou familiarizado a essa nova tecnologia financeira.  

Como diria aquela velha teoria econômica, todo mundo quer viajar no vagão que a banda toca. Ninguém quer perder a festa! E no mercado financeiro atual, o vagão em que a banda toca é o das criptomoedas. 

A libra chega com força, impulsionada não só pelo Facebook, mas também por diversas outras grandes empresas – inclusive do setor financeiro – que se uniram a esse projeto. 

Foi estruturada para ser utilizada em plataformas como WhatsApp, Messenger (Facebook), de forma facilitada e ágil, como é dito em seu whitepaper: “deve ser tão fácil e econômico quanto – e ainda mais seguro e protegido do que – enviar uma mensagem de texto ou compartilhar uma foto¹”. 

¹Tradução livre. 

Bitcoin x Libra 

É importante ressaltar que o bitcoin e a libra não possuem características similares. O grande investimento do bitcoin ainda é institucional, sendo realizado por grandes empresas ou sendo negociado em bolsas de valores – fatores que interferem diretamente no seu crescimento.  

Sendo assim, a libra entra de forma complementar, controlada por uma política interna. Ela não será uma moeda de especulação, mas sim de pagamento, o que torna sua estabilidade relacionada ao seu uso como forma de pagamento. 

Mas, dificilmente ela conseguirá ameaçar a predominância do bitcoin, que hoje equivale a 60% dos investimentos de criptomoedas. Vale lembrar que se trata de uma moeda não descentralizada, algo que não costuma ser bem visto ou aceito pelos cripto-investidores mais experientes ou mesmo pelas gerações mais novas, afeitas a ideologias um pouco mais libertárias do que a Libra inicialmente oferece. 

Apesar de todo o barulho em torno do anúncio e das possibilidades geradas pela entrada de uma gigante como o Facebook no cenário, é preciso aguardar o lançamento da libra. Há pontos que ainda não ficaram bem claros e já geram dúvidas aos futuros investidores. Um deles é a estabilidade/flutuação da cotação da moeda.  

O whitepaper divulgado cita que a libra foi criada com o objetivo de que cada usuário saiba que o valor cotado hoje será próximo ao que será cotado no dia seguinte. Mas, isto não significa que a moeda terá seu preço estável. Como isso será feito, só o tempo dirá. Claro que há mecanismos para segurar o preço de uma moeda, mas a história já mostrou que estes não se mostram eficientes a médio ou longo prazo. 

Desconfiança à vista 

O Facebook perdeu parte de sua credibilidade após ter divulgado dados de 50 milhões de seus usuários para auxiliar na campanha eleitoral de Trump em 2016, nos Estados Unidos. O projeto libra, de algum modo, traz consigo parte dessa problemática. Estariam seguros os dados de clientes e usuários? 

Expectativa 

Independente das desconfianças ou dos “senãos” que envolvem o nome do Facebook – que publicamente tomou à frente do projeto – a libra traz novas perspectivas pelo mercado e deve ser bem aceita, sobretudo por aqueles que desejam iniciar ou se introduzir neste mercado.